The Market
Duas peças Maralunga lideram Leilão Design de outubro
Pregão de 6 de outubro ofertou 251 lotes e confirmou 111 vendas; assentos ocuparam quase todas as primeiras posições
07 de outubro de 2026 · 2 min de leitura
O leilão de outubro da Leilão Design ofertou 251 lotes e terminou com 111 vendas confirmadas — pouco menos da metade do catálogo. O que organiza o resultado não é um nome isolado, mas uma preferência bastante nítida: assentos. sofás, poltronas e cadeiras ocuparam praticamente todas as primeiras posições da sessão, deixando mesas, estantes e peças de apoio num segundo plano discreto.
No alto da lista, dois lotes do mesmo desenho. O sofá Maralunga de Vico Magistretti, criado para a Cassina em 1973, foi vendido por R$ 28 mil, e um par de poltronas da mesma linha veio logo em seguida. Ambos trazem a mesma particularidade de catálogo: foram fabricados no Brasil pela Probjeto, sob licença da fabricante italiana. É um detalhe que costuma passar despercebido e que aqui sustentou o topo do pregão — produção nacional licenciada de um ícone internacional, disputada como tal.
A sequência imediata reequilibra a conversa a favor do repertório brasileiro, com o sofá MP-97 de Percival Lafer, em jatobá maciço, e uma mesa de centro em jacarandá e mármore de Jean Gillon. A amplitude cronológica dos destaques chama atenção: o conjunto reúne peças que vão do fim dos anos 1950 ao início dos anos 1990, entre elas um par de poltronas Kudasay de Ricardo Fasanello, de 1992, em fibra de vidro e resina. Não houve concentração num único período; houve demanda por objetos reconhecíveis em décadas diferentes.
Outro padrão merece registro: lotes múltiplos performaram bem. Pares de poltronas e conjuntos de quatro e oito cadeiras aparecem repetidamente entre os maiores valores, incluindo o conjunto Andover de Davis Allen e as cadeiras São Paulo de Carlos Motta, estas últimas descritas no catálogo com marcas de uso compatíveis com a datação. Compradores de mobiliário tendem a comprar conjunto; o pregão confirmou essa lógica.
A surpresa está na ponta. Dois lotes de autoria não identificada — um sofá e uma estante, ambos brasileiros dos anos 1960 — entraram na faixa superior da sessão, cada um na casa dos R$ 10 mil. Num segmento em que a assinatura costuma ser o principal argumento de preço, o resultado sugere que desenho, madeira e escala bastaram. A estante, com mais de dois metros de altura e quase um metro e meio de largura, foi comprada pelo que é, não por quem a fez.
Nota de dados: os valores citados correspondem a vendas publicamente confirmadas pela casa. O número de lotes com ao menos um lance não foi informado.



